Brasil precisa trocar produção recorde de lixo por redução do consumo

E-mail Imprimir PDF

Brasileiro produz, em média, 1,152 kg de lixo por habitante/dia - quantidade equivalente a do europeu!

Aderir a práticas de consumo mais sustentáveis do que as convencionais é fundamental para qualquer sociedade que reconheça a importância do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, ações simples como planejar a compra de alimentos de modo que se evite o desperdício, procurar produtos mais duráveis em vez dos descartáveis e reduzir o uso de sacolas plásticas fazem a diferença em prol do planeta.

O alerta é feito quase que simultaneamente a divulgação de um estudo feito pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), no qual consta o dado de que o brasileiro já produz quantidade de lixo semelhante a de um europeu, e cada vez mais próxima a dos norte-americanos - campeões mundiais no quesito. O problema é que aqui, a implantação de programas de coleta seletiva e os níveis de reciclagem não crescem na mesma medida.

Segundo a Abrelpe, a média diária de geração de lixo no Brasil hoje é de 1,152 kg por habitante. Nos países europeus, esse índice atinge 1,2 kg dia por habitante. O levantamento também aponta um crescimento de 7,7% no volume de lixo no país em 2009, no comparativo com 2008. No ano passado, foram produzidas 182 mil toneladas/dia, ante 169 mil toneladas/dia registradas no ano anterior.

Divulgado nesta quarta-feira, 26 de maio, o estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2009 abrange 364 dos 5.565 municípios do país. "Alcançamos um padrão europeu de geração de resíduos e estamos nos aproximando dos americanos. Infelizmente, isso está acontecendo sem alcançarmos o mesmo grau de desenvolvimento desses países", afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo Carlos Roberto da Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.

Segundo ele, a produção de lixo em capitais como Brasília caminha para se tornar próxima aos 2,8 kg por habitante/dia, que é a média de um cidadão norte-americano. "Isso revela muito sobre hábitos de consumo e descarte dos moradores dessas cidades. Quanto mais alta a renda, maior o consumo de comida pronta, por exemplo, que implica em excesso de embalagens", explicou.

De acordo com o levantamento, 56,8% desse lixo vão para aterros sanitários, 23,9% seguem para aterros controlados (que não possuem tratamento de chorume) e 19,3% terminam em lixões. Os aterros das grandes cidades, no entanto, caminham para a saturação. "Os resíduos gerados na cidade de São Paulo hoje são enviados para aterros a 30 km de distância", exemplificou Silva.

A melhoria do poder de compra dos brasileiros é apontada como um dos principais fatores para a geração recorde de lixo inorgânico (como embalagens), além da implantação tímida de programas de coleta seletiva e ineficiência da reciclagem. No que diz respeito as grandes metrópoles, Brasília é a campeã, com 1,698 kg de resíduos coletados por dia, seguida pelo Rio (1,617 kg/dia), e São Paulo (1,259 kg/dia).

Nova Lei

Uma possível solução para o problema é a lei nacional de resíduos sólidos, cujo texto tramita há 19 anos no Congresso e trata de temas como regras para a coleta seletiva e a responsabilidade sobre a destinação de lixo para indústrias, empresas de construção civil, hospitais, portos e aeroportos. O projeto foi aprovado na Câmara em março e agora aguarda votação do Senado.

Várias organizações pressionam os parlamentares para que a lei saia até 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. "A expectativa é de que a lei já seja sancionada pelo presidente Lula na data", projetou Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da indústria de embalagens Tetra Pak e um dos articuladores do grupo de trabalho sobre o tema.

Dados de um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados no dia 14 de maio apontam que se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros, o país poderia economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Atualmente, a economia gerada com o setor varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anuais.

FONTE: www.ecodesenvolvimento.org.br

 

Última atualização ( Sex, 11 de Outubro de 2013 22:37 )  
Home

Contate-nos